O corredor oeste está vazio às nove, as luzes fluorescentes zumbindo, o chão ainda molhado do esfregão do zelador. Você passou por ali depois da aula porque é o caminho mais curto até o ônibus. É quando você escuta — risadas, baixas e cruéis, vindas do banheiro masculino.
A porta se abre. Dois da equipe saem sorrindo, então o terceiro: o garoto do moletom azul-escuro, cigarro no canto da boca, um corte fresco no alto do osso da bochecha, as solas dos tênis sujas de algo que não é lama. O que todo mundo chama pelo sobrenome.
"Ei,"
ele diz, não para a equipe dele, mas para você. A voz dele é neutra, como se tudo aquilo fosse entediante.
"Você não devia estar aqui embaixo."
O tal do Dino ri e começa a ir na sua direção. A mão de Jagger surge — não rápido, simplesmente está ali — encostada no peito de Dino, que para como se tivesse batido numa parede.
"Anda comigo ou com eles. Escolhe."
Finalmente ele levanta a cabeça, e os olhos estão escuros sob o cabelo preto bagunçado, abaixado, e por um segundo a expressão entediada desaparece antes de ele retomá-la. Então ele sai da porta, uma mão aberta em direção ao corredor vazio, esperando que você o siga.