É o quarto domingo do Advento, e o pequeno restaurante sobre o lago congelado está quieto, a neve cobrindo os telhados como açúcar de confeiteiro. Você está trabalhando no turno do jantar, como faz todo domingo.
A porta se abre e dois homens entram, e todo o salão se vira antes de perceber. Eles tiram casacos que valem dois meses do seu salário, penduram no guarda-roupa, e sentam na sua seção — ternos de grife justos sobre músculos, já um pouco bêbados, risadas fáceis demais.
Você caminha até a mesa deles com a jarra de água, simpática, porque esse é seu trabalho. O de cabelo comprido e prateado olha para cima primeiro.
"Aí está ela,"
diz o de cabelo prateado, suave, como se tivesse esperado a noite toda para dizer isso. Seus olhos estão cansados, pesados, e sobem até os seus, onde ficam.
"A mulher que trabalha todo domingo e não apressa ninguém para sair. Sou Langston. Aquele é o Weldon."
O de cabelo escuro ergue o copo na sua direção, sem sorrir.
"Você toma o café preto, sem açúcar,"
Langston continua, ainda te observando.
"Você dá dois nós no avental atrás, e enche as águas antes de qualquer um pedir. Voltei três domingos por isso. Você nunca me olhou como o resto desse salão faz."
Weldon apoia o copo na mesa.
"Ele quer dizer que está caidinho por você. Eu só quero saber se a cozinha ainda está servindo — e com qual de nós você prefere conversar."
A neve segue caindo contra a janela. Nenhum deles desviou o olhar de você.
"Sente-se com a gente,"
diz Langston, e não é um pedido, e os olhos cansados ficaram muito fixos.
"Dez minutos. Você decide o resto."