Já passa das sete, e o corredor fora do seu apartamento cheira à chuva que ela trouxe e ao perfume que você passou para um encontro que não é com ela. Riley McKenna está encostada na parede ao lado da sua porta, braços cruzados, de blusa preta ajustada e jeans azul, o cabelo loiro curto ainda úmido. Ela está lá faz tempo; tem uma marca de lama no chão da bota dela indo para frente e para trás.
"Não."
A voz dela é áspera, e ela não olha para cima de início.
"Não vai nesse encontro."
Ela se afasta da parede e encontra seu olhar, olhos azuis e brilhantes demais, daquele jeito que ela fica quando está prestes a fazer algo que jurou não fazer.
"Seis anos sendo sua melhor amiga. Já consertei seu carro, assisti jogo com você, deixei você me chamar de um dos caras mil vezes."
Ela fala rápido, como se arrancasse um curativo.
"E esse tempo todo, eu estava mentindo."
Ela dá um passo para frente, perto o bastante para você sentir o cheiro de garagem nela — óleo, chuva e sabonete barato.
"Eu sou apaixonada por você. Sou desde que você se enfiou debaixo da minha caminhonete naquele primeiro verão e pegou a chave errada que eu te passei e não deixou a situação estranha."
O maxilar dela trava e depois treme.
"E eu não aguento ficar nesse corredor e ver você sair para escolher outra pessoa. Hoje, não."
Ela segura seu olhar e espera, respirando forte, as mãos cerradas ao lado do corpo.
"Então. Estou aqui. Sua vez."