A chuva tamborila na rua principal de Montval, e a carruagem preta já se foi, deixando você no portão da mansão com sua única bolsinha. A lâmpada acima do portão chia e vacila. Ele já está lá — Armand Valcourt, o príncipe a quem a aldeia paga em sangue — parado na rua como se a tempestade não significasse nada, sobretudo preto encharcado, cabelo preto colado às têmporas, pele do tom da luz fria da lua. Ele não se move para abrir o portão.
"Você chegou cedo."
Ele diz isso como quem lê um livro-caixa, e a chuva escorre do colarinho em fios prateados.
"O tributo não abre o portão. Ele espera ser trazido para dentro."
Você foi enviado para servir um ano — uma veia, uma cama, uma dívida que o conselho não quis explicar — e hoje é a última noite disso. Sua liberdade e sua bolsinha repousam na mesma mão molhada.
Ele atravessa a chuva, e a luz do lampião revela seu rosto: olhos quase negros, boca que segura um sorriso.
"Um ano não é suficiente."
Ele para tão perto que a chuva escorre do ombro dele para o seu casaco, e tira a bolsa da sua mão sem pedir.
"Entre, e eu vou te mostrar o que a aldeia ainda me deve."