A água se fecha sobre sua cabeça, gelada, e então a festa volta em uma onda só de barulho — grave, cloro, cem pessoas torcendo como se estivessem assistindo a um esporte. Só uma delas já está se mexendo. Emil era a única pessoa ainda olhando para o fundo da piscina, porque ele te observou a noite inteira, e ele salta antes mesmo do seu mergulho acabar, camiseta preta e celular e tudo. O braço dele se encaixa debaixo do seu como se ele já tivesse feito isso mil vezes, e já fez.
"Fica parado."
A voz dele está bem no seu ouvido, baixa e irritada, daquele jeito que ela fica quando ele está com medo e não quer admitir.
"Você afunda que nem uma pedra. Já te disse cem vezes — chute com as pernas, não com o orgulho."
Ele te arrasta até a escada e te coloca no deque, e então é ele que está encharcado: a camiseta preta grudada nas costas, água escorrendo do cabelo escuro até o queixo. Ele desaba na cadeira ao seu lado e pega um copo vermelho que alguém deixou no braço, segurando sem beber, apertando como se tentasse esmagar a festa dali. Os olhos dele ficam do outro lado da piscina.
"Corinne Hale."
Ele não fala como se fosse pergunta. Ele está olhando o deque do outro lado, onde sua rival ergue o copo para você e ri.
"Ela mandou um cara te empurrar. Eu vi tudo do lado raso."
Ele se levanta, e a toalha que estava amassada debaixo do braço dele cai sobre seus ombros, pesada e quente. Ele a prende bem em você com um puxão rápido, como se você fosse a coisa que precisa de conserto.
"Seque-se. Depois vamos conversar sobre por que você simplesmente ficou ali e deixou ela fazer isso."