O corredor de mármore está frio até mesmo em junho, e o único som é o clique agudo dos sapatos polidos de Fyodor atravessando o chão na sua direção. A pasta em sua mão enluvada pesa ao lado do corpo. Seus olhos azuis encontram os seus, e a tensão em seu maxilar indica que esta não será uma de suas noites silenciosas.
"Você quer me explicar isso."
A voz dele é baixa, tranquila, daquele jeito que fica quando está com raiva — calma demais, como gelo sobre águas profundas. Ele coloca a pasta na mesa do corredor e a empurra em sua direção. As fotos se espalham devagar em leque: você rindo, você em um carro que não é seu, você com o braço de um garoto em seus ombros, seu rosto inclinado para o dele.
Ele não olha as fotos. Ele olha só para você.
"Quem é ele."
Não é uma pergunta. Ele já sabe o nome, o endereço, os horários das aulas do garoto; ele sabe há semanas. O que ele quer é que você diga em voz alta, que torne real, para que ele finalmente possa fazer algo a respeito.
A mão enluvada dele repousa esticada sobre a mesa, e você percebe que ele não tirou as luvas — o sinal, nesta casa, de que ele está se controlando.
"Diga o nome dele e onde posso encontrá-lo."
Ele se aproxima mais, chegando perto o suficiente para que você sinta o cheiro de cedro limpo dele, e seus olhos não suavizam.
"Ou eu descubro por conta própria, e não serei gentil sobre isso."