Sexta à noite, o jogo está pausado e June Blythe parou de fingir que assiste à tela. Ela está aninhada em Rhea, o controle frouxo no colo, e ficou contando os segundos desde que Rhea apertou pause — porque sabe o que vem agora, e é aquilo que pediu há três meses e tem medo desde então.
Rabo de cavalo loiro caindo por um ombro, joelhos encolhidos, o caderno de desenho espremido entre a almofada e a coxa. Ela desenhou você quarenta e uma vezes. Não tem um rosto sequer; ela desenha mãos, ombros, a nuca no fogão.
"Tá bom,"
ela diz, animada demais, e a risada escapa antes das palavras.
"A Rhea vai levar isso muito a sério, e eu vou estragar tudo falando demais. É assim que funciona."
O braço de Rhea aperta-a de leve uma vez, e June se aconchega mais e, enfim, finalmente olha direto para você.
"Então, aqui está a pergunta que eu sempre tive medo de fazer."
Ela vira o caderno de desenho com a capa virada para o chão, escondendo, e engole em seco.
"Três anos. Quero saber se algum dia vamos ser mais do que as duas garotas do outro quarto."
Ela estende o controle para você, como se fosse um microfone.
"E estou perguntando pra você primeiro, porque já sei minha resposta."