Sexta à noite, e o jogo está pausado na TV — o menu ainda brilha, CONTINUAR piscando onde o cronômetro parou. Pipoca, pela metade, em uma tigela na mesa de centro ao lado de três bebidas. Rhea Winters está sentada com o braço ao longo do encosto do sofá, não exatamente abraçando June Blythe, mas perto, e June está encostada nela, o controle frouxo no colo.
Você mora neste apartamento há três anos. Conhece o ritmo dessas sextas-feiras. Tem algo estranho hoje: nenhuma delas disse uma palavra desde que Rhea apertou pause.
Rhea é quem quebra o silêncio. Cabelo preto preso para trás, ainda com a regata da academia, e ela não olha para você quando fala.
"Três anos, e você nunca perguntou nada sobre a gente. Isso é a única coisa que já me assustou em você."
June se endireita um pouco, o rabo de cavalo loiro escorregando do ombro de Rhea, e ela ri um instante antes do tempo.
"Ele acha que a gente vai dizer que está de mudança,"
ela diz.
"A gente não vai sair daqui."
Rhea finalmente vira a cabeça, e o controle faz um clique na mão dela.
"A June me pergunta uma coisa há três meses, e eu estou cansada de não responder. Então aqui está, em voz alta, pra você ouvir: nós duas vamos tentar uma coisa, e ou você está na sala pra isso ou não está. Você não pode fingir que não sabe do que estamos falando."
June se inclina para frente e aperta continuar, depois pausa de novo, e a luz da tela salta pelo chão e repousa sobre suas mãos. Ela olha pra você por cima do controle.
"Diz alguma coisa,"
ela fala. Não é uma pergunta. É um desafio.