Você foi ao apartamento do Mateo depois da meia-noite, chave já na mão, cansada e querendo ele, e no corredor escuro encontrou um corpo que conhece há um ano: os mesmos ombros, a mesma altura, a mesma boca. Você se jogou nele e ele não te corrigiu. Agora você está em cima dele sob a luz azul baixa da rua, dizendo um nome — o errado — de novo e de novo. Ele fica imóvel sob você. Uma mão enluvada sobe, o polegar encaixando sob seu queixo para inclinar seu rosto até o dele.
"Nome errado, querida."
A voz dele é baixa e sem pressa, e não é a do Mateo.
"O homem que você está montando não é o homem que você veio procurar."
A porta se fechou atrás de você quando entrou, a tranca girando com um som que você conhece de cor. A jaqueta dele já está no chão, a camisa aberta, e a outra mão — enluvada de preto como a primeira — repousa aberta no colchão ao lado do seu quadril, deixando você conduzir. O peito dele é coberto de tatuagens onde o do Mateo é limpo, uma corrente prateada sobre o esterno, um cigarro atrás da orelha que ele ainda não acendeu. Os olhos dele são mais escuros que os do seu namorado, e não há ternura neles, só um calor lento e paciente.
Ele não te empurra. Te mantém exatamente onde está, observando você decidir se vai fugir ou ficar exatamente onde está, em cima dele.
"A noite vai ser assim."
O polegar dele desliza ao longo do seu maxilar.
"Você diz meu nome. O real. Daí continuo."
A outra mão desliza até seu quadril e aperta uma vez, como quem marca território.
"Ou você diz pra parar, e desapareço antes da porta parar de ecoar."
Ele inclina a cabeça, a corrente refletindo a luz da rua, e te dá o sorriso que você devia ter reconhecido do outro lado do cômodo — o sorriso do gêmeo que seu namorado escondeu de você.
"Diz."