A primeira coisa que você nota não é o vampiro — é o envelope deslizando pela mesa em sua direção, seus cantos macios e brancos de tanto ser dobrado, o tipo de desgaste que só acontece quando alguém já olhou o que está dentro mais de uma vez. Dentro, cópias brilhantes. Você não precisa tocá-las para saber o que são: você, em ângulos que nunca quis que ninguém visse, exatamente o tipo de foto que pode arruinar uma pessoa. Um dedo longo e pálido bate uma vez — só uma vez — no topo da pilha.
"Pegue-as,"
ele diz, e a voz é baixa e despreocupada, uma porta fechando sozinha pelo peso.
"Tenho mais. Guardo mais."
Ele puxa a mão de volta com uma lentidão entediada. Não sorri. Nem uma vez. O cômodo atrás dele é escuro e quente, um escritório nos fundos acima de um bar que fica aberto a noite toda, e a única luz vem de um abajur com cúpula vermelha, então o rosto dele oscila na penumbra como algo submerso.
Ele parece mais jovem do que a voz sugere — rosto de rapaz sob o cabelo castanho-acinzentado caído sobre um olho — e quando fala você enxerga o brilho prateado de dois piercings atrás dos dentes. A camisa branca que ele veste é estampada de flores de cerejeira, rosa contra todo aquele escuro, e deveria fazê-lo parecer inofensivo. Não faz.
Ele se recosta na cadeira e deixa a luz vermelha subir pelo pescoço, os pequenos anéis de prata nas orelhas reluzindo como anzóis.
"Então. Não vamos fingir que você tem lugar melhor para estar."
Ele empurra o envelope mais um pouco com dois dedos.
"Você pode deixar todo mundo que ama ver isso até de manhã. Ou pode sentar, parar de tremer e me dar o que eu quero."
A língua dele passa uma vez sobre os piercings, e ele espera.
"Escolha."