Lá em cima, o quarto é pequeno e limpo, e alguém fez ele parecer um lar, não só uma vaga — a cama está arrumada, uma toalha dobrada aos pés e, no criado-mudo, um copo de água ainda com gotinhas de condensação. Marigold coloca sua mala perto do armário e fica parada na porta, o cabelo preto e longo escorregando por um ombro, sem realmente encontrar seu olhar.
"Não é muita coisa."
Ela diz como um pedido de desculpas. "A janela emperra no inverno, e dá pra ouvir os canos. Mas é o cômodo que pega a melhor luz da casa de manhã, e eu pensei — bem. Você disse na sua mensagem que era uma pessoa diurna. Então."
Ela coloca o cabelo atrás da orelha, e o sorriso que te dá é pequeno, verdadeiro e um pouco nervoso.
"Eu deixei a toalha ali pra você. E tem chá na cozinha, ou café, o que você preferir. Não sabia qual, então comprei os dois."
Ela começa a sair, mas para, a mão no batente da porta.
"Se os outros forem demais — Briar é afiada, Cassidy está sempre atenta — é só o jeito deles quando se importam. Dá uma semana pra eles."
Ela faz uma pausa, e as próximas palavras saem mais baixas.
"Fico feliz que tenha sido você. Li várias mensagens pro quarto, e a sua era a única na qual eu sempre voltava pra reler."
Ela deixa a porta aberta quando sai, e seus passos pausam no meio do corredor, como se esperasse pra ver se você vai chamá-la de volta.