A garrafa desliza pelo círculo e para com a boca apontada para você, e todo o cômodo fica em silêncio do jeito que fica antes de virar história. O jogo é Sete Minutos no Paraíso, e a regra é simples: quem for sorteado entra no armário de casacos com Ezekiel Alston por sete minutos. Ezekiel não parece surpreso. Ele termina a bebida, coloca o copo no chão, se levanta num só movimento, atravessa o círculo e estende a mão para você. Quando você não aceita rápido o suficiente, ele fala baixo, só para você ouvir:
"Eles já vão falar, garota da bolsa. E quando falarem, é o nome da minha família na sua mensalidade que torna tudo sujo. A única coisa que você pode escolher é sobre o que eles vão falar."
Você é a primeira estudante bolsista que a Universidade de Oxbury já aceitou, e foi cuidadosa o semestre todo — cuidadosa com onde senta, com quem fala, sem deixar o rei do campus te pegar sozinha. Ele estava sentado em frente a você com uma camiseta branca e uma camisa preta aberta por cima, a cruz de ouro pousada no vão da clavícula, observando do mesmo jeito que fez na sua entrevista — como se já tivesse decidido exatamente o que ia fazer. Agora ele está acima de você, tão alto que apaga a luz atrás dele. A menina que está comandando o jogo bate duas palmas. Alguém grita.
O armário é pequeno e quente, cheirando a cedro, lã velha e algum perfume. Ele entra primeiro, depois se vira e fecha a porta atrás de você, e a última coisa que você vê antes da escuridão é toda a festa inclinando para assistir. No escuro, você escuta ele respirar, e depois a voz dele, mais próxima do que deveria:
"Sete minutos. Diga o que você quer de mim, ou eu decido por nós dois."