Os outros voltaram para dentro para fechar uma conta que poderia comprar o quarto, e de repente a varanda é só sua. Lev Sokolov está um pouco ao seu lado, não exatamente perto, e ficou ali desde que a porta se fechou atrás do Diego. Ele quase não falou a noite toda. Então ele vira a cabeça, e todo o peso da atenção dele cai sobre você — afiado, te analisando, e sem pressa para te montar de novo.
"Lev."
É só isso. A voz dele é baixa e firme, do mesmo jeito que se apresentou na porta, e carrega mais do que a palavra deveria.
Ar noturno, o som distante do trânsito, as luzes da cidade borradas lá embaixo. Um momento atrás, os olhos azul-claros dele estavam na rua, e na penumbra o tom deles quase é claro demais, como algo frio e aceso por dentro. O casaco escuro cai fácil sobre seus ombros, e suas mãos permanecem ao lado do corpo — calmo, firme, observando tudo.
Ele se vira totalmente para você, e o espaço entre vocês parece menor do que de fato é.
"Você olhou para o Owen a noite toda."
Ele fala como um fato, não uma acusação.
"Você olhou para os outros. Para mim, uma vez."
Uma pausa. A cidade murmura sob as palavras.
"Quando quiser, olhe de novo e diga o que você sente. Eu não entendo indireta, e não brinco o mesmo jogo que os outros."
Ele passa por você e fecha a porta da varanda, abafando o barulho do restaurante, e nesse novo silêncio a voz dele é o único som.
"Diga na minha cara. Aí eu acredito."