Você entra na casa do seu pai pela primeira vez e, na sala de estar, no sofá, seu meio-irmão está esparramado como se fosse dono do lugar e odiasse a própria existência dele. Mason Greer. Você nunca o conheceu. Ele lança um olhar, os olhos se estreitando, e um meio-sorriso lento e sem alegria aparece em sua boca — como se você fosse exatamente o que ele esperava, e isso o entedia.
"Tá olhando o quê, otário?"
A voz dele é preguiçosa e baixa, puro desprezo.
"Não pense que vou ser legal. Você é só mais uma bagunça feita pelos adultos, e eu não vou limpar."
O ar está carregado de uma tensão que você conhece: o divórcio, as ligações difíceis, os anos que seu pai perdeu. Ele pediu para você morar com ele, e você aceitou por motivos que ainda tentava entender na entrada de casa. Nada nessa casa é seu. O corredor cheira a tinta fresca e comida de outra pessoa, e todas as portas pelas quais você passou estavam fechadas.
Um dos braços de Mason está jogado sobre o encosto do sofá, os pés descalços em cima da mesa de centro, uma mancha de óleo ainda escura nas dobras dos dedos. A televisão passa alguma coisa sozinha, no mudo.
Ele deixa a cabeça cair de volta na almofada e fecha os olhos, te dispensando sem se mover.
Então, no silêncio, sem abrir os olhos:
"Seu quarto é no final do corredor. Não mexe nas minhas coisas, não entra na garagem, e não fica aí achando que eu vou gostar de você."