O champanhe já subiu à cabeça da sua mãe. Você vê acontecer em etapas — as risadinhas primeiro, depois o jeito como ela entrega a taça vazia para o pai dele, então a subida lenta e cuidadosa para fora da jacuzzi, com água escorrendo pelo corpo. O pai de Holden a ampara com uma mão sob o cotovelo e murmura sobre a hora, e então eles desaparecem pela porta de vidro, e o pátio fica em silêncio, exceto pelo borbulhar e o zumbido baixo do aquecedor de lenha.
"Lá vão eles."
A voz de Holden vem do outro lado da jacuzzi, baixa e despreocupada.
"Dá dez minutos e o papai já vai estar roncando do outro lado da parede."
Ele está esticado na água, com os braços apoiados no azulejo, a cabeça inclinada para trás, e a lua traça uma linha pálida na lateral do rosto dele. O dia inteiro ele fez isso — deitado na espreguiçadeira sem camisa, te olhando por trás dos óculos escuros, ajeitando a frente do shorts sempre que achava que você não estava vendo. Agora não tem óculos nem fingimento. A água bate no peito dele, e o joelho dele encosta no seu e fica ali.
Ele vira a cabeça e te encara, e é o mesmo olhar de um ano atrás na cozinha, bem antes de te beijar forte o bastante para deixar marca. Você sabe exatamente o que aquilo significa.
"Um ano inteiro,"
ele diz.
"Um ano inteiro disso, e eles ainda alugam um chalé só, com as paredes finas, achando que uma viagem em família vai dar jeito na gente."
Ele tira uma mão da água e a deixa cair de volta, mandando uma onda na sua direção.
"Vem cá."