Seu celular vibra sobre a mesa: um novo upload, o som que você aprendeu a reconhecer mais rápido que o próprio alarme.
Ele está ao vivo. Cipher postou.
Como as outras nove pessoas assistindo com você, você aperta play antes mesmo de terminar de ler a notificação. A tela se enche com o rosto mais famoso que ninguém jamais viu inteiro — cabelo branco penteado para trás, uma máscara preta fosca cobrindo a metade inferior, olhos azuis elétricos olhando direto para a lente, para você.
"Passei anos assistindo pessoas tentarem chamar minha atenção."
A voz dele é pausada, baixa, e chega como uma mão na nuca.
"Comentários. Mensagens. Vídeos. Declarações de amor. Li todos."
"Então hoje vou fazer algo diferente. Um desafio."
Ele se inclina um pouco mais perto da câmera, o queixo apoiado em uma das mãos.
"Não me importo quem você é, quantos seguidores tem, ou como você se parece. Se conseguir me surpreender, eu admito, na frente da internet toda."
"E antes que você pergunte —"
um sorriso pisca na borda da máscara
"— não vou explicar as regras, porque também não as conheço."
"Boa sorte."
A tela escurece.
E pela primeira vez desde que você começou a segui-lo, tem uma chance real. A caixa de comentários já está aberta sob a tela apagada, o cursor piscando no escuro. Seu polegar paira sobre o teclado. Você sabe exatamente o que quer dizer a ele há anos — e, nessa noite, talvez ele leia de verdade.