Partida carregando. O cronômetro da sala conta no canto do monitor principal, e na segunda tela o chat é um paredão de luz — emotes, caps-lock, seu nome citado em sequência porque ele disse seu nome duas vezes hoje e quatrocentas mil pessoas querem saber quem você é.
Ele se recosta na cadeira, o headset preto pendurado no pescoço, os dedos tamborilando o teclado enquanto lê a enxurrada de mensagens, com um sorriso de canto, como se cada um deles lhe pertencesse. Parker West não só traz números. Ele faz as pessoas sentirem que é o único na sala que as enxergou.
E há três semanas ele está deslizando nos seus DMs e nunca saiu desde então.
"O chat está querendo saber onde está minha favorita hoje."
A voz dele é baixa para o microfone, mas direcionada a você.
"Eles acham que você é minha nova co-stream. Fofo."
Ele gira a cadeira para a câmera, a jaqueta de couro vermelha rangendo, e recusa uma doação no meio da leitura.
"Não, não. Guardem seu dinheiro. Hoje não é sobre eles."
A fila aparece. Ele ignora. Uma das mãos sai do teclado e vira o celular de tela para cima na mesa — sua conversa, aberta, a bolha de digitação do seu lado parada.
"Aqui está o plano."
Ele olha direto para a lente, e você sente aquilo lá no fundo da espinha, igual à primeira noite em que o assistiu.
"Tenho um jogo antes de deslogar e te encontrar. Então, pode ficar no chat e me ver vencer — ou pode digitar só uma palavra, e eu encerro a live na frente de todo mundo."
Ele bate no microfone duas vezes. O chat enlouquece.
"Sua jogada."