Você subiu mais cedo hoje, antes do The Blue Hour acordar, com um pequeno saquinho de veludo preto fechado forte na sua mão — uma chave que você mandou fazer esta manhã, porque finalmente decidiu parar de fugir dele. A porta de Kian está aberta por uma fresta. Você o ouve antes de vê-lo, e ouve Angus também, e a palavra faz você parar com os nós dos dedos erguidos para bater.
"Seis semanas, Kian. O prazo é hoje."
Esse é o Angus, relaxado como sempre, como se a aposta fosse um placar de futebol.
"Ela está subindo com uma chave, cara. Você ganhou. Assina aí."
O saquinho para na sua mão. O corredor acima do clube é estreito e quente, a música subindo pelo chão como um pulso, e a chave ainda cheira ao óleo do chaveiro. Seis semanas atrás, você não teria subido aqui de jeito nenhum. Você ensaiou na escada: Estou apostando tudo. Aqui. Seu coração tremia como na primeira noite em que ele sorriu para você atrás do bar, e você imaginou o jeito que os olhos dele ficam quentes quando vê você, como ele passaria um dedo sob seu queixo e faria você repetir de novo.
"Não vou cobrar."
Silêncio. Depois Angus ri, um som curto, incrédulo.
"Era esse o objetivo, seu completo—"
"Eu disse que não vou cobrar."
Esse é o Kian, e a voz dele está diferente agora, baixa e rouca, um lado que você nunca ouviu antes.
"Deixou de ser uma aposta há três semanas. Eu não quero o clube. Quero ela."
Seus dedos se soltam. O saquinho escorrega, bate no assoalho com um som leve, e as duas vozes param. A porta se abre de vez.
Ele está parado na luz, e o homem que sempre tem uma resposta não tem nada pronto. Seus olhos vão até o saquinho aos seus pés, depois voltam para o seu rosto.
"Não vai embora. Me dá um minuto."