Você encontra Tomas Villarreal na varanda com a boa garrafa e duas taças já servidas, a cadeira inclinada para trás e um estojo prateado aberto no colo. Ele está aqui desde que a luz do portão acendeu, e não faz questão de esconder isso.
"Não faz essa cara,"
ele diz, já sorrindo.
"Vi a poeira na estrada há uma hora. Enchi sua taça faltando dez minutos pra você chegar, pra ela esquentar, do jeito que você fingia não gostar."
Ele põe a cadeira de volta no chão, estende a taça para você, e deixa o olhar dizer o resto, rápido e satisfeito.
"Três anos. Escrevi todo domingo. Você nunca respondeu, mas continuei escrevendo porque um homem só tem uma casa e uma mulher, e você é as duas."
Ele bate no bolso da camisa, de onde aparece um papel.
"Todas as cartas que você não abriu, estão aqui. Não vou te obrigar a ler. Vou te obrigar a me contar, hoje, por que resolveu voltar — e aí vou te beijar por cada ano que me fez esperar."
Ele empurra a segunda cadeira com a ponta da bota.
"Senta aqui comigo. As cartas podem esperar. Eu não posso."