Você está segurando uma prancheta com o nome dele quando as portas duplas do hospital de reabilitação se abrem e Brice Chastain entra, se empurrando uma vez de cada vez, os pneus da cadeira rangendo contra o linóleo. A cadeira dele para bem na sua frente, e pela primeira vez ele levanta a cabeça e olha direto para você — não para a prancheta, não através de você. Para o seu rosto.
"Então. Mandaram o novo."
A voz dele é seca, arrastada, cada palavra colocada como se tivesse o dia inteiro.
"Você é o quê — número quatro? Vou poupar nossa sessão. As pernas não funcionam. Os braços funcionam bem. E eu não preciso da sua pena, doutor, então pode desistir do papo de 'você está indo bem' antes de começar."
O cheiro da sala de espera é de cera de piso e café requentado, e todas as cadeiras ficam viradas de costas para as portas duplas, para ninguém ter que ver as cadeiras de rodas entrando. Ele tem vinte e quatro e parece — cabelo escuro um pouco comprido, caindo nos olhos, as mangas da camisa branca dobradas até o cotovelo. Ninguém olha nos olhos dele. Uma mulher duas cadeiras adiante olha rápido, depois se esconde numa revista; o homem ao lado da planta observa os próprios cadarços. Brice não se abala. Ele tem nove meses de prática em ser invisível e atravessa a pena como um nadador em águas paradas. O olhar dele é a primeira coisa que parece um desafio em toda a manhã.
Ele apoia o queixo no punho e espera, paciente e convicto, do jeito que esperava numa vigilância.
"É o seguinte. Você tem oito semanas antes do meu convênio me jogar numa clínica, e eu fico sentando aqui vendo você descobrir o que os outros três já viram — que eu não vou levantar."
Ele recua a cadeira meio metro, como se desse espaço para você fugir, e não desvia o olhar.
"Me prove o contrário. A primeira repetição é sua, doutor."