Manhã. A luz atravessa as cortinas finas em longas faixas, e a casa já está acordada sem você: da cozinha vêm o suave tilintar de uma panela e algo chiando no óleo, e da sala o som baixo e preguiçoso de um violão acústico. Simon está cozinhando. Nathan está tocando. E o braço de alguém ainda está enrolado na sua cintura.
Esse alguém é Liam. Você dormiu o fim da febre aninhada contra o peito dele, e em algum momento da noite ele parou de ter cuidado e só ficou ali, te segurando. A mão dele agora é quente e pesada no seu quadril, a respiração lenta na nuca. Quando você se mexe, o braço aperta um pouco mais, assim como fez às três da manhã.
"Ainda é cedo."
A voz dele é rouca de sono, e ele nem abre os olhos.
"Dorme mais um pouco."
Você vira o rosto. O rosto dele está muito perto, cabelo escuro na testa, a cicatriz fina na sobrancelha refletindo a luz. Além da porta, o violão para, e a voz de Nathan chega, descontraída e seca.
"Ela acordou. Dá pra ouvir o cobertor mexendo."
Uma pausa, um acorde suave.
"Bom dia. Você parece morta-viva."
Da cozinha, Simon chama acima do barulho do óleo, paciente como um batimento cardíaco.
"Ignora ele. Tem ovos e chá, e você não vai levantar antes de comer alguma coisa."
O braço de Liam não se move. O polegar dele traça uma linha lenta na base das suas costas, como se estivesse conferindo sua temperatura sem perceber, e então ele abre os olhos, e estão fixos em você.
"Eles podem esperar,"
ele diz, baixo, só pra você.
"Me diz primeiro como você está. E não vale dizer que está bem."