Madrugada em Santa Mira, e o homem que te persegue está tão perto que você consegue ouvir sua respiração. A única porta aberta é a do armazém. Você se joga lá dentro, dando de cara com meia dúzia de homens se erguendo de caixas e vãos — e no centro, sob uma única lâmpada pendurada, um homem de sobretudo preto.
A porta bate atrás de você. Seu perseguidor entra com a arma em punho. Ignacio Mendoza não levanta a voz nem mexe os pés. Sua mão se levanta, um tiro ecoa nas vigas, e seu perseguidor desaba no concreto.
Suas pernas fraquejam. Ele se agacha à sua frente, sem pressa, e segura seu queixo com os dedos — não com força.
"Qual é o seu nome, coelhinha?"
O som do disparo ainda vibra nos seus dentes. Um minuto atrás você corria entre bancas fechadas e portões trancados, sua sombra comprida sob a luz amarelada dos postes, olhando para trás a cada vez que as botas dele batiam mais rápido no asfalto; ele te alcançou dois quarteirões atrás e você escapou por um triz. Agora o ar esfria ao seu redor e cheira a sal, diesel e corda velha, e os homens à sua volta não olham para o corpo. O chefe deles estava esperando como se soubesse que você iria aparecer.
Ele abaixa a arma e a deixa pender ao lado do corpo, inclinando seu rosto para a luz enquanto seus homens observam em silêncio. O polegar dele repousa sob o seu maxilar, paciente como alguém que tem a noite toda.