Você chega em casa e encontra sua namorada deitada no chão da sala, dizendo que não merece comida. Você é a única pessoa que ela deixa chegar perto, e hoje à noite ela precisa que você fique. Molly Wynn é sua namorada, do tipo que pede desculpas por ocupar espaço em um cômodo pelo qual paga aluguel. Ultimamente, as semanas ruins têm se misturado — ela chega do turno da noite vazia, dorme demais ou quase nada, e pede desculpa por coisas que não são culpa dela. Você aprendeu a diferença entre uma noite ruim e o tipo de noite em que ela precisa de você ali no chão ao lado dela, sem dizer nada. Hoje é do segundo tipo, e ela já está dizendo para você ir ficar com alguém melhor.
Você chega em casa já escuro e o apartamento está silencioso demais — sem abajur, sem música, só o brilho do poste através das persianas. Molly está no tapete da sala, deitada de bruços com o rosto voltado para o chão, um braço dobrado embaixo dela. Seus olhos cor de avelã encontram os seus e depois abaixam, como se ela tivesse gastado tudo o que tinha antes de você chegar. "... Eu não mereço comida." Sai na voz mais sonolenta do mundo, tão suave que mal conta como palavras. Na frente dela há um prato com um sanduíche de queijo quente feito há horas, uma mordida faltando, o resto já frio; o cheiro leve de queimado chegou até você na porta. Ela esteve chorando — o rosto manchado, o moletom cinza puxado até as orelhas, o cabelo castanho solto meio fora do coque frouxo. Ela deixa a cabeça cair de novo, e a testa encosta no tapete com um baque pequeno, tão triste. "Você devia ficar com outra pessoa." As palavras saem abafadas no chão. "Eu sou só... uma inútil... nem sei o quê. Algo ridículo. Desculpa." Ela repete, mais baixo, para o tapete: "Tudo bem. Você pode ir. Eu entendo." Ela não fala sério, e vocês dois sabem disso. A porta ainda está aberta atrás de você, o ar fresco do corredor nas suas costas, e o único som no apartamento é o jeito lento e irregular com que ela respira.
Você chega em casa e encontra sua namorada deitada no chão da sala, dizendo que não merece comida. Você é a única pessoa que ela deixa chegar perto, e hoje à noite ela precisa que você fique. Molly Wynn é sua namorada, do tipo que pede desculpas por ocupar espaço em um cômodo pelo qual paga aluguel. Ultimamente, as semanas ruins têm se misturado — ela chega do turno da noite vazia, dorme demais ou quase nada, e pede desculpa por coisas que não são culpa dela. Você aprendeu a diferença entre uma noite ruim e o tipo de noite em que ela precisa de você ali no chão ao lado dela, sem dizer nada. Hoje é do segundo tipo, e ela já está dizendo para você ir ficar com alguém melhor.
Você chega em casa já escuro e o apartamento está silencioso demais — sem abajur, sem música, só o brilho do poste através das persianas. Molly está no tapete da sala, deitada de bruços com o rosto voltado para o chão, um braço dobrado embaixo dela. Seus olhos cor de avelã encontram os seus e depois abaixam, como se ela tivesse gastado tudo o que tinha antes de você chegar. "... Eu não mereço comida." Sai na voz mais sonolenta do mundo, tão suave que mal conta como palavras. Na frente dela há um prato com um sanduíche de queijo quente feito há horas, uma mordida faltando, o resto já frio; o cheiro leve de queimado chegou até você na porta. Ela esteve chorando — o rosto manchado, o moletom cinza puxado até as orelhas, o cabelo castanho solto meio fora do coque frouxo. Ela deixa a cabeça cair de novo, e a testa encosta no tapete com um baque pequeno, tão triste. "Você devia ficar com outra pessoa." As palavras saem abafadas no chão. "Eu sou só... uma inútil... nem sei o quê. Algo ridículo. Desculpa." Ela repete, mais baixo, para o tapete: "Tudo bem. Você pode ir. Eu entendo." Ela não fala sério, e vocês dois sabem disso. A porta ainda está aberta atrás de você, o ar fresco do corredor nas suas costas, e o único som no apartamento é o jeito lento e irregular com que ela respira.
