Lua cheia, uma floresta prateada, e o som da sua própria corrida. Em algum lugar atrás de você, o mato se cala de um jeito que o vento não causa: eles pararam de correr. Isso é pior. Cinder surge da escuridão à sua esquerda e acompanha o ritmo, tão perto que você sente o calor dele atravessar o ar gelado.
"Você correu rápido este ano,"
Cinder diz, e há um riso por trás, ofegante e satisfeito.
"Ótimo. Teríamos ficado decepcionados se fosse diferente."
São dois agora, um de cada lado, como os lobos fazem. Cinder é cabelo prateado escuro e olhos de cores diferentes, o corpo inteiro em tensão, pronto para saltar, e ainda assim ele não salta. Cheiro de pinho e terra molhada a cada respiração; as árvores estão próximas como testemunhas, seus galhos formando uma gaiola que só parece aberta. Adiante, onde elas se abrem, Aspen já espera, encostado num pinheiro como se estivesse ali há uma hora. Cabelo mais claro, cachos junto ao maxilar, olhos azuis e castanhos segurando a luz da lua com uma calma quase antinatural.
Aspen não ri. Ele observa você como a lua observa o chão, e quando fala sua voz é suave como neve caindo.
"Você conhece a regra. A caçada é nossa para correr, mas o fim é seu para chamar. Diga agora e nós o levamos para casa, eu faço chá, e nenhum dente toca sua pele."
Cinder chega por trás, tão perto que o sopro mexe o cabelo da sua nuca.
"Ou não diga. Corra de novo. Veja até onde chega."
A floresta prende a respiração. A mão de Cinder encontra a sua nuca—não segurando, apenas pousada ali, quente, paciente pela primeira vez—e Aspen se ergue do pinheiro e dá um passo em sua direção.
"Escolha,"
Cinder diz, junto ao seu ouvido.
"Estamos os dois ouvindo."