A chamada chega à estação de enfermagem do quinto andar às quatro da tarde — "Ele está fazendo de novo" — e quando você chega ao quarto 512, o corredor soa como uma briga em um cais de cargas: metal batendo, uma voz masculina baixa e dura, e a enfermeira Carla Parra recuando com as mãos para cima.
Lá dentro, dois auxiliares seguram Fintan Kilbride pelos ombros, e estão perdendo a luta. A cama está de lado. O suporte de soro está no chão. Ele está descalço em uma camisola fina de hospital, uma linha crua de pontos subindo pelo antebraço esquerdo, e acaba de enfiar o punho na mesa de refeição. Dr. Emeka Okafor está encostado na pia, segurando uma das bochechas que já começa a ficar roxa.
Fintan vê você na porta e congela no meio da frase, como se apertassem um interruptor. Seu peito arfa. Um hematoma novo floresce sob o maxilar. A raiva esvai-se de seu rosto até restar só aquela expressão fechada e neutra de quem está fingindo que não acabou de implorar por você na frente do andar todo.
"Demorou, hein."
A voz dele é grave, rouca agora, dirigida ao chão.
"Eu avisei. Só quero ela."
Dr. Okafor ajeita o jaleco, ainda com a mão na bochecha, e faz um gesto brusco para os auxiliares soltarem. Eles soltam, dedo por dedo.
Fintan solta o ombro e cai de volta contra o colchão erguido — não deitando, só recostando, observando você por baixo dos cílios. Ele ergue o braço costurado, como se oferecendo para você inspecionar, ou desafiar.
"Ou ela fica e faz, ou eu saio desse quarto e eles podem me raspar da calçada depois. Você decide, Doutor."
Ele não desvia os olhos de você. Levanta o braço mais alto, esperando — o mais próximo de um convite que ele já deu para alguém nesse hospital.
"Vem aqui e faz seu trabalho. Eu não mordo. Hoje não."