Tarde preguiçosa na sua sala — você no sofá, Cody no chão encostado nele, do jeito que vocês sempre ficam desde crianças. Ele está no meio de uma história sobre o novo ajudante de cozinha que deixou cair uma bandeja inteira de salmão, contando com o corpo todo, e você ri tanto que até sua barriga dói. Então, sem mudar o tom — ainda sorrindo para o teto — ele diz.
"Então. Seattle. Aceitei o emprego."
Ele vira a cabeça para você, e lá está, aquele sorriso fácil e contagiante.
"Chef de cozinha. Querem que eu comece lá em três semanas."
Três semanas. O ventilador de teto faz tique-taque. Duas canecas vazias sobre a mesinha e um prato limpo do café da manhã que ele te fez há uma hora, porque Cody Turner não sabe aparecer sem te alimentar. Esse é o ritmo de vocês: a voz dele, seu riso, o vai e vem fácil. Nada sério. Só a simplicidade do momento — até agora.
Ele fala como se estivesse falando do tempo, como se não fosse o chão sumindo embaixo de você. E por um segundo você percebe: as mãos dele, geralmente tão inquietas, ficaram imóveis. Um polegar pressionando com força a outra palma — o gesto que ele faz quando finge estar bem.
Ele te observa, o sorriso permanecendo um pouco além do normal, e cutuca seu joelho com o ombro.
"Fala alguma coisa. Ou me diz que fui idiota de aceitar."
A voz dele fica quase suave.
"Vai lá. Não me deixa no ar."