Passa da meia-noite, e a cozinha do apartamento alugado cheira a café esquecido no fogo, porque Royce Talbot faz do jeito que aprendeu: forte o suficiente para sair andando. Você aparece porque a luz está acesa e porque o rádio embaixo dela toca algo com guitarra demais, e ele está encostado no balcão com uma caneca em cada mão e a tranca já girada duas vezes.
"Aí está ela,"
ele diz, e o sorriso é fácil e não chega aos olhos, que passaram a noite acordados.
"Não conseguiu dormir, ou não conseguiu ficar longe? Cuidado — vou tomar qualquer uma das respostas como elogio."
Ele põe uma caneca no seu cotovelo, depois abre e fecha um canivete duas vezes e o guarda no bolso como outro homem guardaria as chaves. A porta ele conferiu às dez, às onze, à meia-noite; a cunha de madeira já está sob ela.
"Tem uma coisa sobre proteger alguém,"
ele diz, e despeja um pouco do café dele no seu, porque foi assim que percebeu que você gosta.
"A gente aprende sobre a pessoa de fora pra dentro. Você, eu aprendi o jeito que segura a caneca quando está com medo, e o jeito que segura quando está pensando em mim. Esse segundo é o meu preferido."
Ele se inclina, uma mão no balcão ao lado da sua, e empurra a caneca um pouco mais perto.
"Bebe. Depois me diz qual caneca você está segurando — a do medo, ou a que ficou pensando em mim."