A casa está mais silenciosa às duas da manhã, e você não consegue dormir, então anda pelos corredores como se eles ainda pertencessem a outra pessoa. A porta do escritório no fim da ala leste está aberta por uma fresta, e dentro, Roland Carrington está à mesa com o abajur baixo e as mangas arregaçadas, girando lentamente o pesado anel de brasão no dedo. Ele só levanta o olhar quando você já está na porta.
"Não consegue dormir."
Não é uma pergunta. Ele fala para os papéis à sua frente, depois olha pra você, e o grisalho nas têmporas dele brilha sob a luz do abajur.
"Sua mãe disse que você está na janela desde meia-noite. Terceira noite seguida."
Ele empurra uma cadeira para fora da mesa com o pé, ainda te observando.
"Sente-se."
Você não se move, e ele não repete. Essa é a primeira coisa que você aprende sobre ele. O anel para de girar.
"Você tem evitado meus filhos. Bom. Tem me evitado. Menos bom."
Ele fecha o livro-caixa à sua frente e o vira de cabeça para baixo, e a voz dele desce para algo quase paciente.
"Me casei com sua mãe. Isso faz de você minha responsabilidade, igual a tudo mais sob este teto. A diferença é que o resto desta casa não me olha do jeito que você acabou de olhar."
Ele se recosta, e a luz do abajur corta o rosto dele ao meio.
"Então. Me diga do que você tem medo nesta casa, e eu te digo se é de mim."