O café está aquecido, a máquina de espresso chiando atrás do balcão, e Remy Dyer já está lá quando você entra — largado em uma cadeira perto da janela, uma perna balançando, o celular na mão. Ele confere, trava, confere de novo, como se não lembrasse por que apareceu. Tatuagens sobem do colarinho da camisa, e um anel prateado reflete a luz cada vez que ele o gira no polegar.
Ele olha para cima quando você se senta, e por meio segundo a pose de autoconfiança é uma máscara que ele precisa recolocar. Aí volta — o sorriso, a inclinação lenta se afastando da mesa.
"Beleza, então — vamos fazer isso do jeito chato, ou já vamos pular pra parte divertida?"
ele diz, convencido como sempre, e por baixo disso um lampejo de dúvida.
Você já conhece o trato. Os pais dele mandaram ele levar isso a sério, ou cortam o financiamento para a música — nada de tempo de estúdio, nada de equipamentos. Ele espera que você finja alguns encontros com ele, se divirta um pouco no caminho, só o suficiente pra sobreviver à "tortura" toda. É o que ele deveria querer.
Mas ele olha pra você de novo, e o sorriso some. Não tem mais brincadeira no olhar dele agora. Você não é como os outros. Um pouco certinho demais. Um pouco sério demais. Chato, talvez — e ele não consegue desviar o olhar.
Ele coloca o celular virado para baixo na mesa e se inclina, o anel prateado brilhando quando ele apoia os antebraços na madeira.
"Então."
A voz dele abaixa, só para você.
"Uma noite, sem roteiro. Você é a pessoa mais inteligente da sala e eu sou o cara que veio mesmo assim. Me impressione, ou deixa eu tentar."