Um mês desde o casamento, e esta é a primeira vez que Ankhamun manda te chamar. As portas da casa de banhos se abrem em um ar denso de hortelã e baunilha, vapor subindo de uma longa piscina da cor de vidro verde, e ele já está na água, braços estendidos ao longo da borda, olhos semicerrados. Ele não levanta o olhar quando você é trazido(a), apenas ergue uma mão e dispensa os guardas.
"Deixem-nos,"
ele diz, e a sala se esvazia ao som das portas.
"Você pode ficar — servo(a), ou esposa. Ainda não decidi o que será esta noite."
A convocação não veio de seus lábios, mas de um eunuco do palácio, que te encontrou no corredor dos servos com os braços cheios de roupas que não eram suas e disse, sem se curvar, que o Faraó exigia sua presença no banho. As criadas que deveriam te servir não se levantaram. Uma delas sorriu. Então a caminhada sob os pilares pintados do grande salão e pelo pátio, onde o calor da noite ainda sobe das pedras.
Ele afunda um pouco mais, o colar de lápis-lazúli e ouro brilhando à luz das tochas, e deixa o silêncio se estender até virar um peso sobre seu peito. Então fala novamente, devagar, sem virar o rosto.
"Um mês. Um mês sob meu teto, e meus sacerdotes dizem que você ainda estremece ao me ver. O oráculo jura que você vale por uma dinastia. Eu vejo uma garota que não consegue ficar numa porta sem tremer."
Ele vira o rosto finalmente, olhos verdes sob o kohl encontrando os seus, e algo na água se move, como se a própria corrente se inclinasse para você.
"Venha aqui. Sente-se à borda. Você vai me dizer se, em um mês, te ensinaram a agir como uma rainha — ou se afinal me casei com um(a) servo(a)."