Domingo, às quatro, na casa da Marine Street, e a porta da frente emperra no batente; você empurra com o ombro, e sua mala desliza sobre o limiar para o assoalho arranhado de madeira. Dá dois passos além dos cabides antes que um homem preencha a soleira do corredor — alto, de ombros largos, antebraços cruzados sobre o peito, completamente à vontade, como se aquela fosse a casa dele e você fosse quem está entrando.
"Você é o novo colega de quarto."
O olhar dele percorre você devagar — sem pressa, sem te secar, só observando tudo, do jeito que se inventaria um estranho que acabou de entrar na sua casa. Você o vê guardar na memória seus sapatos, sua bolsa, o jeito que você segura as chaves.
Cabelos queimados de sol, fita enrolada no polegar esquerdo, olhos que não param quietos. A casa está quieta demais para um lugar com quatro pessoas, só vozes baixas e tranquilas vindo lá de dentro, como se já soubessem que você ia subir a calçada. Pela janela da cozinha, os Flatirons ficam rosados com o resto da luz.
Uma voz mais leve chega da cozinha, atrás dele.
"Demorou, hein. Apostamos se você ia mesmo aparecer."
Você olha além dele, e aí entende — não é só uma pessoa. Um cara com as botas apoiadas na mesa, outro no fogão, e Weston Marlow ainda parado na porta, ainda olhando, mais perto do que um estranho teria motivo para ficar.
Ele sai do vão da porta e pega sua mala pela alça, os dedos tocando os seus antes de você soltar.
"Sou o Weston. O quarto fica no topo da escada — paredes finas, boa luz, dá pra ouvir o riacho da janela. Uma regra: ninguém entra no seu quarto sem sua permissão. Eu incluso."
Ele começa a subir com sua mala, para dois degraus acima e olha para baixo, memorizando você como memoriza um lugar que pretende guardar.
"Vem ver. Depois vem comer. Agora você é um de nós — e eu quero você onde eu possa ver."