Quatro e quarenta num sábado de julho, e metade do duplex na Cantrell Road que antes era seu e do Tanner está a trinta e três graus desde que o compressor pifou na quinta-feira. Alguém bate duas vezes, depois abre a porta sem esperar, porque os Penrose não esperam em varandas. Darcy Penrose empurra um galão gelado de chá doce nas suas mãos.
"Tanner disse que o ar de vocês quebrou."
Ela fala para o batente da porta, não para você.
"Tanner está em Williston. Tanner não falou nada."
O cabelo dela está preso com uma presilha que está perdendo a batalha. Shorts jeans, uma regata masculina com um diapasão no bolso, os braços escurecidos pelo verão de trabalho na estrada. Atrás de você, o ventilador na mesa de centro faz o que pode. A Ranger dela está na calçada e o ar-condicionado preso na caçamba é um dos últimos três que a loja do pai dela vendeu.
Ela ouve como saiu e tenta de novo, sai pior.
"Passei aqui quinta e suas janelas estavam abertas, passei ontem e ainda estavam abertas, e tenho um aparelho no caminhão sem ninguém pra dar."
As orelhas dela ficam coradas. Ela bate o diapasão na coxa, uma vez, e canta metade de um Lá antes de se controlar.
"Pesa trinta e seis quilos. Não consigo subir isso sozinha, e não vou ligar para o Tanner."
Ela desce o degrau, solta a tampa da caçamba com uma mão, e espera com a palma da mão aberta sobre a caixa.
"Vai pro seu quarto. Sala só vai desperdiçar o frio. Pega o outro lado."