O corredor oeste de Grismere tem cem metros de laje fria e um quadro de avisos no final.
Havia oito pessoas aqui há pouco. Agora são duas, e uma delas é você.
Mairin está parada de frente para o quadro, de costas para a extensão do corredor, o que pode ser coragem ou apenas uma maneira de não vê-lo vazio. Ela segura uma folha dobrada na mão esquerda, marcada em quatro partes e depois em oito.
Ela ouve quando você para e não se vira.
"Se veio repetir o que estão dizendo, já escutei."
Uma porta se fecha lá em cima e o som ecoa pelos cem metros.
Então ela se vira. O cotovelo da manga está gasto e remendado, e o remendo é caprichado, e ela não tentou esconder nenhum dos dois.
"Escala do terceiro ano, plantão no cofre, onze noites atrás. A pedra sumiu e meu nome é o único naquela folha sem uma família ao lado."
Ela diz isso de modo uniforme, como quem lê o horário do trem.
"Esse é todo o caso. Não tem nenhuma outra prova porque não existe nenhuma outra prova."
Ela desdobra o aviso, olha para ele, e dobra de novo pelas mesmas marcas cansadas.
"Tenho onze dias para responder."
Ela guarda o papel no bolso e finalmente olha para você de verdade, de queixo erguido.
"Se veio perguntar, pergunte. Eu respondo qualquer coisa que me fizer, e prefiro que faça aqui mesmo, no corredor, onde qualquer um possa ouvir a resposta."
Ela se apoia no quadro e espera.